O CAMINHO SOLITÁRIO DA FÉ

Dirigindo dias atrás fui  tomado pelo seguinte pensamento: Se eu fosse o único cristão da minha sociedade o que aconteceria com o Evangelho?

Mais adiante a reflexão tomou uma nova conotação: O Evangelho que você vive é o da regra bíblica ou da exceção da Escritura?

Para deixar mais turbulenta a consciência: Qual o legado de fé que seus filhos receberão pelo modo de vida que você leva?

Quantas pessoas, coisas, atos e pensamentos deixarei para que estas perguntas tenham como resposta o Evangelho do Senhor Jesus Cristo como centro da minha existência?!!!

Todavia para não haver escape os versículos de Mateus 10 são enfáticos ao dizer que aquele que me negar diante dos homens eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus. Cabe a mim, como homem, pai, esposo, cidadão e cristão saber qual o a resposta do Senhor a minha vida.

De sorte, que se puder, caminharei com muitos. Se não, com poucos. Se necessário com um e, se ordenado, caminharei sozinho. Todavia se o coração dEle se alegrar, realizado ficarei para que o louvor e a honra e a glória, não apenas de lábios, mas de ações cheguem até Ele.

 

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Bebê Crente X Bebê Ateu

bebe-ateu-bebe-crente

No ventre de uma mulher grávida, dois bebês estão tendo uma conversa. Um deles é crente e outro ateu.

Bebê Ateu: Você acredita na vida após o nascimento?

Bebê
Crente: Claro que sim. Todo mundo sabe que existe vida após o nascimento. Nós estamos aqui para crescer fortes o suficiente e nos preparar para o que nos espera depois.

Bebê
Ateu: Bobagem! Não pode haver vida após o nascimento! Você pode imaginar como seria essa vida?

Bebê
Crente: Eu não sei todos os detalhes, mas acredito que exista mais luz, e talvez a gente caminhe e se alimente lá.

Bebê
Ateu: Besteira! É impossível andarmos e nos alimentarmos! É ridículo! Nós temos o cordão umbilical que nos alimenta. Eu só quero mostrar isso para você: a vida após o nascimento não pode existir, porque a nossa vida, o cordão, já é demasiado curta.

Bebê
Crente: Eu estou certo de que é possível. Ela será um pouco diferente. Eu posso imaginá-la.

Bebê
Ateu: Mas não há ninguém que tenha voltado de lá! A vida simplesmente acaba com o nascimento. E, francamente, a vida é apenas um grande sofrimento no escuro.

Bebê
Crente: Não, não! Eu não sei como a vida após o nascimento será exatamente, mas em todo caso, nós encontraremos nossa mãe e ela cuidará de nós!

Bebê
Ateu: Mãe? Você acha que tem uma mãe? Então, onde ela está?

Bebê
Crente: Ela está em toda parte à nossa volta, e nós estamos nela! Nós nos movemos por causa dela e graças a ela, nós vivemos! Sem ela, nós não existiríamos .

Bebê
Ateu: Bobagem! Eu nunca vi uma mãe; portanto, não existe nenhuma.

Bebê
Crente: Eu não posso concordar com você. Na verdade, às vezes, quando tudo se acalma, nós podemos ouvi-la cantar e sentir como ela acaricia o nosso mundo. Eu acredito fortemente que a nossa vida real começará somente após o nascimento. Eu creio!

Fonte: http://www.internautascristaos.com.br/blog/bebe-crente-x-bebe-ateu

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Não tem interesse por sexo, então cuidado !

É do conhecimento de todos que o povo latino tem um desejo sexual mais intenso que outros povos. Isto é comprovado em estatísticas com que vez por outra nos deparamos. Entretanto uma queixa que encontro a todo momento em meu envolvimento com casais, nas palestras, é o tema em que estamos abordando: “Por que não transamos?”Há muitas razões para um parceiro evitar o outro dentro do casamento. É lógico (e eu não sei como tem gente que não entende isso), que quando um faz uma grosseria para o outro, resulta numa revolta e, por conseguinte, numa “greve” por alguns dias até que a mágoa passe. Mas, e quando não há esta briga e não há motivos aparentes para não se transar, por que não se transa?

Não quero me referir àquela situação em que ele está doido de vontade de transar e ela também, mas fica esperando a iniciativa do outro de começar, porque precisam quebrar o gelo de um silêncio, eleito como forma de agressão, já por alguns dias, e que precisa ser desfeito.

Quero me basear na situação em que “de graça”, sem motivo algum aparente, quando ele não faz nada ou ela também não fez, mas a relação “não sai “. Por quê?
Quando isto acontece, mil idéias passam na cabeça de uma parte, porque a outra sabe perfeitamente bem o motivo de não querer transar.”O que está havendo com ele?””Por que ela está me evitando?”

Uma pontinha de orgulho impede que estas perguntas venham à tona, porque culturalmente sempre se acredita que o carinho precisa ser espontâneo e não cobrado, pois aí ele já perdeu “não sei quantos por cento” do valor. E, com isto, a situação se prolonga por um tempo maior do que deveria, tornando-se muito perigoso.

Certa vez , uma mulher me contou que um problema ginecológico relativamente simples para mim, mas que lhe trazia muita vergonha, fez com que ela evitasse a relação por um bom tempo, não revelando nada ao marido. Recentemente, fiquei impressionado com um jovem esposo que me fez olhar para sua mulher e me confidenciou que estava perdendo o interesse por ela pois engordara muito e não era mais aquela menina graciosa com quem ele se casara. Algumas mulheres já se queixaram a mim de desinteresse pela falta de criatividade de seus maridos. Outras vezes, os maridos reclamam da falta de iniciativa por parte das mulheres, as quais são consideradas por eles como frias (na realidade isto pode muito bem ser uma defesa da mulher contra uma relação que lhe trás dor ou mesmo até ter a impressão de que com esta sua iniciativa o marido possa lhe rotular como leviana). Muitas mulheres vão diminuindo conscientemente o ritmo sexual por absoluta falta de orgasmo.

Acontece que na maioria destas e de outras situações não se discute o problema, geralmente com medo da incompreensão do (a) outro (a) e ele (a) fica pensando:”O que está acontecendo com ela (e)?”

Com facilidade, se chega a uma triste conclusão que este desinteresse vai aumentando progressivamente. Tanto estas situações não diagnosticadas, como aquelas em que é evidente a causa (quando a mulher põe o dedo na cara dele e diz com a voz meio rouca: “Tudo bem …Não tem problema…), são extremamente perigosas.

Quando você insiste em desagradar a (o) parceira (o) naquilo que ela (e) gostaria que você fizesse e isto se repete, se repete, se repete … o casamento vai literalmente “enchendo o saco” e, às vezes, é por aí que começa o desinteresse.
Um dos primeiros, senão o primeiro, sentimento que nos desperta o sexo oposto é algum tipo de admiração. Não dá para amar alguém que não admiramos. E não é apenas a questão física, mas a intelectual, o companheirismo, etc. É agradável conversar com alguém que busca conhecer outros assuntos além daqueles que lhe são comuns ao trabalho, aos filhos… alguém que se importe pelos seus interesses. Num relacionamento conjugal quando acaba a admiração, tudo começa a desmoronar. A libido está ligada diretamente à admiração, seja ela física ou de sentimentos. Não dá para desejar alguém que não admiramos em nada.
As repercussões deste desinteresse são muito marcantes em nosso dia-a-dia. As nossas ações, nossas atitudes de modo geral são movidas pelo humor que nos acompanha. É completamente diferente você receber um colega de manhã no trabalho que te saúda assim: “Bom dia!!!!!” É muito mais fácil de se conviver com uma pessoa assim, alegre. Ele até produz melhor. Ela passa a ser mais simpática com a vizinha o dia inteiro (como a sociedade exige do crente!).

Nas palestras que faço, apesar de falar de sexo, de anatomia, a cada momento eu me refiro à espiritualidade. E sabem? Um bom relacionamento melhora muito a espiritualidade. Eu estou habituado (e feliz ) de ver isto na prática.

Preocupo-me tremendamente quando encontro uma parte do casal que chega pra mim e diz que quando vai dando a hora de chegar em casa aparece uma tristeza, porque o ambiente no trabalho é tão bom com os colegas e ele (a) tem certeza que ao entrar em casa irá encontrar um clima péssimo. A vontade é de não voltar e continuar na rua com os (as) amigos (as).

Fora de casa há uma competição muito desigual. Mulheres esculturais exibem os seus corpos semi-nus, exibindo uma sensualidade intensa e chegando ao ponto de até “cantar” o homem. Homens lindos exibem seus músculos, determinando às vezes comparações totalmente opostas a alguns maridos. A situação deste articulista que você está lendo neste momento é um caso típico. Meu corpo é totalmente definido. Não tenho uma “capa ” de gordura. É pele e músculo. Há uns 35 anos o meu peso é aproximadamente 52 Kg. Sou um cara magro prá caramba. Muito longe de querer me igualar àqueles sujeitos “marombeiros” que têm corpos fantásticos.

Estas comparações são muito perigosas e, às vezes, não nos apercebemos do que estamos fazendo. É preciso que o relacionamento do casal supere a todas estas situações.

Temos que fazer tudo para que os nossos lares sejam lugares onde sintamos a vontade de voltar correndo, por ser o melhor espaço do mundo para se morar e viver, onde você é valorizado (a) e querido (a) por todos. Cada um tem a sua cota de participação.

Com certeza, o Deus que temos e que pode todas as coisas, está a fim de nos ajudar. Mas, muitas vezes, você ora neste sentido e fica esperando o milagre sem que faça nada de prático para esta melhoria e coloca para Deus que vai mudar uma porção de coisas para melhor, se Ele te ajudar. E Deus fica olhando para você com certa tristeza, querendo abrir a sua cabeça e colocar lá dentro: “Muda primeiro, meu filho, que eu te abençôo depois”. Até quando ficará assim? Você esperando de Deus e Ele esperando de você?

Se nós reagimos assim, eu fico imaginando Deus, quando da mesma forma você insiste em pecar o mesmo pecado e “jura” que não vai fazer isto novamente mas acaba caindo outra vez no mesmo erro. Talvez pudesse considerar que, neste caso, você estará dando trabalho demais para Deus, ao abusar da Sua misericórdia.
Para todas estas situações citadas entrego a vocês um pensamento fantástico, que nos impulsiona para que abramos os olhos e sintamos como é importante melhorar o clima da casa: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim”.

A partir de um determinado momento você pode passar a pensar assim: “Eu não quero que o nosso fim seja deste jeito que parece que vai ser. Se eu quiser eu posso melhorar. Eu quero melhorar. Eu vou melhorar, em Nome de Jesus !!!” E , quando você pensa desta forma, eu vejo Deus abrindo um sorriso e dizendo: “Agora, sim, eu vou abençoar a este meu filho”. Simplesmente porque você mudou e fez alguma coisa pela sua bênção.

De vez em quando a gente recebe a queixa que o interesse por uma outra atividade acaba provocando a resposta: “Já vou indo…”, para a proposta de se ir embora ou para a de deitarem-se. Isto ocasiona ciúmes importante da televisão, do computador, do recém-nascido, ou até da própria Igreja, frustrando desejos e levando a posterior desinteresse. A outra parte sente-se incapaz de despertar interesse. E isto acontece com maior freqüência com casais já com alguns anos de casados.

Tenho a perfeita noção de que o sexo não é tudo no casamento. Mas também considero que é uma parte muito importante. E, porque desde criança se sabe que esta é uma área com muitos desajustes, é que procurei me especializar em Sexualidade para ajudar aos casais de nossa comunidade com palestras, esclarecendo detalhes fantásticos da anatomia sexual, criados de uma forma perfeita por Deus.

Temos um inimigo que tem conhecimento ainda maior do que o nosso de tudo isto que estamos tratando e, covarde como é ele não deixa passar uma chance para promover o afastamento entre o casal. E suas armas são sutis a um tal ponto que quando percebemos ele já conseguiu nos fazer pecar contra Deus e contra nosso (a) parceiro (a).

Ás vezes, chega uma fase em que o casal passa a viver como bons irmãos e tornam-se excelentes sócios na criação dos filhos, na compra do supermercado, no pagamento das contas, etc. Isto é interessante. Mas é o ao mesmo tempo bastante perigoso, quando uma das partes ainda preserva o apetite sexual e sofre pela sua falta.

Finalmente, gostaria de afirmar a vocês que na minha visão poderia resumir 14 anos de palestras a casais; jovens e igrejas, com algumas colocações:

Faça alguma coisa . Ore. Você pode até não ter criatividade, mas “em Deus estão
todas as nossas fontes.” (Sl.87). Mas torne ótimo o clima da sua casa.
O mais importante no casamento chama-se política. Você consegue o que quiser
do(a) outro (a) com jogo de cintura. “Deus é a fonte de toda sabedoria.”
Cuide bem da relação com os filhos. Isto pode repercutir demais. Peça a Deus
compreensão e sabedoria.
O crente precisa saber transar muito bem. Deus não teve vergonha de criar o aparelho genital masculino e feminino. Ninguém sabe mais que o Criador como funciona Sua criação.
Procure ter noções mais práticas da anatomia sexual. Muitos casais, com grande cultura em outras áreas, não têm este conhecimento.
É fundamental que as igrejas proporcionem aos noivos estas informações para
começarem certo, sem traumas, a vida conjugal.
E, cuidado com o desinteresse sexual.

Deus os abençoe!

Por: Dr.Tércio Ribas: é membro da Primeira Igreja Batista de Madureira, médico ginecologista, obstetra, cirurgião, com Pós- graduação em Sexualidade. Abandonou quase toda sua vida profissional para dedicar-se ao Ministério de Casais onde há 14 anos ministra palestras
a casais sobre relacionamento Conjugal e Sexual e prepara noivos para o casamento.
É também escritor de livros como: “Melhorando o Relacionamento Sexual e Conjugal” – casos selecionados em 10 anos de palestras; “Regozija-vos Sempre”; “Como ser abençoado por Deus”
 
Fonte:  http://padom.com.br/nao-tem-interesse-por-sexo-entao-cuidado/

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ORAÇÃO

Orar é conversar com o Pai. Não nosso pai terreno, mas um Pai perfeito que nos ama incondicionalmente. Abaixo seguem algumas sugestões para nossa vida diária de oração.

Ore em secreto. Busque lugares solitários para orar. Nossa vida está cheia de barulhos. Desligue-se.

Lc 5.16: “Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava.”

Ore para descansar. Quando querem descansar e relaxar, as pessoas fazem as coisas que mais gostam. O único lugar de verdadeiro descanso é no Pai. É para Ele que tenho que correr quando quero descansar.

Mt 14.23: “E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.”

Ore para decidir. Você já passou uma noite inteira orando para uma decisão difícil? Jesus já! Somos mais fortes que Jesus? Creio que não, precisamos orar muito também!

Lc 6.12-13: “Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos:”

Ore para lutar. Existem batalhas que só vencemos através da oração. No Getsamani havia uma guerra acontecendo, Jesus lutou com seus joelhos no chão.

Mt 26.36: “Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar”

Ore até o Senhor responder. Começar a orar é fácil. A pergunta é se temos perseverado nas orações. Oramos e cansamos ou nos mantemos firmes até ouvir a voz do Pai.

Lc 18.1-8

“1 Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer:
2 Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum.
3 Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu adversário.
4 Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse consigo: Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum;
5 todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me.
6 Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo.
7 Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?
8 Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”

Ore para frutificar. O reino de Deus avançará quando orarmos. Quer frutos? Ore.

Lc 11.9-10: “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.”

Ore de joelhos no chão. Algumas coisas não saem de nossas vidas somente com conselhos e boas conversas. Algumas coisas só saem com nossos joelhos dobrados no chão.

Ef 3.14: “Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai”

A oração é uma conversa com nosso amado Pai, aquele que nos ouve quantas vezes quisermos, mas Ele também quer falar ao nosso coração. Não ore pensando somente em pedir, ore para ouvir e buscando conhecer mais a Deus. A oração produz intimidade com Deus e a intimidade com Deus produz muitos frutos em nossa vida.

Perseveremos!

Estêvão Avillezrumoaoalvo.com

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Materialismo na igreja – Jamê Nobre

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Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. (I Tm 6:10)

Paulo diz que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1Tm 6.10) .
Diz que aqueles que quiseram se enriquecer caíram em laços e ciladas.

A vontade de Deus é que tenhamos o necessário para viver, e que estejamos tranqüilos e confiantes nele para o nosso sustento (Mt 6.33) .

A igreja, durante a sua história, envolveu-se com as riquezas deste mundo de tal forma que tem impedido o verdadeiro estabelecimento do Reino de Deus. O que geralmente ocorre é que em alguns grupos a grande quantidade de riquezas ocupa o tempo e o coração de seus líderes, ao mesmo tempo que em outros a falta de dinheiro gera intranqüilidade a ponto de levar seus obreiros a se envolverem no serviço secular.

Tanto num caso como noutro, os líderes acabam não dando tempo suficiente a Deus, e nem a devida assistência à igreja, que se torna debilitada e doente espiritualmente, e conseqüentemente também não contribui bem financeiramente. Desta forma, um círculo vicioso se instala: o obreiro intranqüilo não oferece boa assistência; um povo mal assistido não contribui!

Obviamente não temos pretensão de esgotar o assunto, que é extenso, mas queremos abordar algumas questões fundamentais, sem medo de tocar naquilo que está abaixo da superfície. Uma Igreja Comprometida Com o Poder Financeiro.

Diz que aqueles que quiseram se enriquecer caíram em laços e ciladas.

A vontade de Deus é que tenhamos o necessário para viver, e que estejamos tranqüilos e confiantes nele para o nosso sustento (Mt 6.33) .

A igreja, durante a sua história, envolveu-se com as riquezas deste mundo de tal forma que tem impedido o verdadeiro estabelecimento do Reino de Deus. O que geralmente ocorre é que em alguns grupos a grande quantidade de riquezas ocupa o tempo e o coração de seus líderes, ao mesmo tempo que em outros a falta de dinheiro gera intranqüilidade a ponto de levar seus obreiros a se envolverem no serviço secular.

Tanto num caso como noutro, os líderes acabam não dando tempo suficiente a Deus, e nem a devida assistência à igreja, que se torna debilitada e doente espiritualmente, e conseqüentemente também não contribui bem financeiramente. Desta forma, um círculo vicioso se instala: o obreiro intranqüilo não oferece boa assistência; um povo mal assistido não contribui!

Obviamente não temos pretensão de esgotar o assunto, que é extenso, mas queremos abordar algumas questões fundamentais, sem medo de tocar naquilo que está abaixo da superfície. Uma Igreja Comprometida Com o Poder Financeiro. A Igreja Católica, na Idade Média, chegou a concorrer com as maiores fortunas da época. Possuía riquezas de tal magnitude que dominava vidas de reis e imperadores. Essas riquezas eram adquiridas de diversas formas: vendas de indulgências; conquistas feitas durante as Cruzadas; posse das terras de pessoas amaldiçoadas por ela… (isso era mais comum do que se pensa).

As grandes catedrais construídas a partir do século XI vieram de uma crença que situava a presença de Deus nos edifícios: Deus estava nos grandes templos, e quem ajudasse a construir acumulava certos créditos diante dele, pois estavam construindo “a casa de Deus”. Os sacerdotes se colocaram como representantes de Deus na terra, e isso ao ponto de ter poder de vida e morte sobre as pessoas. A separação entre clero e leigo foi acentuada de forma muito profunda.

Nesta época alguns homens foram levantados pelo Senhor para desfazer essa visão errônea, mostrando que não havia separação entre classes: a igreja toda era sacerdotal. Homens como os valdenses, João Wycliff, os “Irmãos”, Bernardo de Claraval, Domingos, e Francisco de Assis, vieram mostrar uma vida mais simples, de cuidado uns com os outros, e até chegaram a cair em extremos para contrastar com a posição da Igreja Oficial.

R. H. Nichols diz: “Em virtude desses dois fatores, excesso de autoridade e riquezas, o egoísmo dominou a vida da maioria do clero. Extremaram-se os clérigos no zelo e guarda de seus privilégios legais e sociais. Fizeram do dinheiro seu grande objetivo. Muitos deles se tornaram “pluralistas”, isto é, exerciam dois ou mais ofícios eclesiásticos e aumentavam as suas rendas muitas vezes, alugando substitutos aos quais pagavam mal, para fazerem o trabalho que eles próprios não conseguiam fazer.
Por meio da simonia (venda de coisas espirituais), que crescera muito apesar da luta de alguns reformadores desse tempo, eram obtidos lugares importantes e rendosos. Sinecuras (posições rendosas sem trabalho) eram objeto de especulação entre eles. A avareza era muito pior no alto clero. A cobiça, a extorsão, a violência dos bispos eram escândalo notório.” (História da Igreja Cristã — Casa Publicadora Presbiteriana — p. 128).

Quando os reformadores se levantaram, algumas aberrações foram combatidas, como a venda de indulgências (Lutero), as grandes riquezas (Pedro Valdo), poderio (Francisco de Assis), envolvimento com o mundo (Bernardo de Claraval), distanciamento do povo nos cultos (João Wycliff). Eles pregavam uma vida mais simples, com salvação pela fé em Jesus, e colocavam a Bíblia nas mãos do povo, mas precisamos entender que aquela reforma somente abriu o caminho para uma restauração maior que o Senhor já vinha operando na vida do homem desde a vinda de Jesus e a descida do Espírito Santo.

A Semente Perversa Continua

Nos nossos dias essa restauração deve se aprofundar, pois a herança que recebemos de nossos pais desceu muito fundo em nossos hábitos religiosos e em nossa formação. Muitos protestantes e evangélicos condenam os excessos e desvios da Igreja Católica, enquanto continuam cegos às práticas e motivações que movem seus próprios ministérios e movimentos.

A área de finanças da igreja foi tocada somente em sua superfície, assim como outras áreas tais como: a forma de culto, a adoração individual, o cuidado das ovelhas, e o discipulado. O Senhor quer nos levar para seus padrões, para uma restauração de todas as coisas anunciadas pela boca de seus santos profetas (At 3.19-21) .  O que aconteceu com a humanidade é que ela foi mergulhada num materialismo insano que domina toda sua forma de vida, suas ações, e seus ideais, e isso não deixou os cristãos ilesos.

A igreja assumiu uma mentalidade materialista de tal forma que sua maneira de agir não tem muita diferença dos padrões e alvos do mundo sem Deus. Seus cultos, seus ideais, sua forma de administração dos recursos — tudo está marcado pelo materialismo.

O Que é Realmente Sólido e Permanente?

O que é materialismo?
É uma forma de pensar, segundo a qual as coisas espirituais são abstratas, difusas e sem base, e as naturais são concretas e dignas de confiança. Porém, a Bíblia ensina diferente.

Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Co 4.18) .

A maior parte da vida humana é dedicada à busca das coisas temporais como se fossem eternas. Entretanto, todas as coisas da terra estão se desgastando minuto a minuto e somente não o percebemos porque estamos na mesma dimensão e na mesma velocidade dessas coisas.

Se pudéssemos aumentar a velocidade, como se faz com os filmes, poderíamos ver as coisas que valorizamos apodrecerem e se tornarem em pó. Essas coisas são, por causa disso, abstratas no contexto espiritual e eterno, e não podemos nos basear nelas por serem de tão pouca duração. A eternidade e as coisas relacionadas a ela são concretas por sua duração e confiabilidade.

O materialismo invadiu a vida da igreja e até sua doutrina e expectativa escatológica, pois a visão da eternidade futura está carregada de cobiça material. Os crentes são encorajados a esperarem as mesmas coisas que buscam aqui, como amplas moradias (mansões), ruas bem pavimentadas (de ouro), e constante lazer e descanso.

Nossos pais nos passaram a visão de que sua grande expectativa era a glória da presença de Deus. Ansiavam por estar com o Senhor. As figuras que a Bíblia mostra apontam para realidades espirituais, alegorias, pois como se explica sete espíritos de Deus, mar de vidro, quatro seres viventes com olhos por diante e por detrás, com semelhança de leão, novilho, homem, e águia, e outras semelhantes?

Não pretendo interpretar essas coisas. Pretendo somente trazer à lembrança verdades valorizadas pelos que viveram antes de nós e que foram estabelecidas como referência para a igreja de hoje.

Cristãos como aqueles enumerados em Hebreus 11. Homens e mulheres que descobriram riquezas espirituais em Deus, e que por causa dessa descoberta desprezaram as coisas desse mundo, morando em cavernas, sendo perseguidos, vestindo-se de peles de animais, vendo o invisível, vivendo muito acima da maior dignidade desse mundo.

O Que Estamos Buscando?

Hoje muitos buscam na igreja a solução de problemas terrenos, e lutam pelo pão que perece, sem experimentar o contentamento por ter o que comer, o que beber e o que vestir.

Os alvos são ligados ao TER e não ao SER, como se o ter constituísse a vida do homem.

Estamos envolvidos por uma teia de propaganda de insegurança no futuro, e por isso nos mergulhamos numa busca inglória por bens materiais como se estes fossem confiáveis e nos trouxessem segurança.

A proposta do Senhor para nós é que, pelo fato de não sabermos o que nos espera, devemos lançar nosso pão sobre as águas e então, depois de muitos dias o recolheremos (Ec 11.1) . Isso mostra que a forma de Deus agir é completamente diferente do pensamento do homem. Quando um pão cai nas águas derrete e é impossível recolhê-lo após algum tempo, muito menos depois de muitos dias. Deus apela para a nossa fé nele, no seu suprimento, nos seus milagres. Ele diz também que devemos “repartir com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá à terra”. Que diferente da mentalidade humana!

O povo cristão está sendo enganado, em grande parte, por um evangelho que anuncia BOAS COISAS e não BOAS NOVAS. Anuncia a busca da satisfação do coração, sem levar a experimentar o poder transformador da cruz de Cristo.

O Modelo de Jesus ou o Modelo das Empresas?

Os modelos de igreja hoje, em grande parte, são diferentes da igreja do livro dos Atos. O povo era ensinado a dar generosamente, servindo aos necessitados. Hoje o ensino é que ser rico é sinal da bênção de Deus e ser pobre é sinal de maldição.

De acordo com os padrões atuais o próprio Jesus teria dificuldade em ser pastor de algumas igrejas. O atual padrão de sucesso no ministério é estabelecido por três fatores: número de crentes, construção de prédios e saldo bancário. Quando um pastor tem um grupo pequeno e faz esse grupo crescer, ele é considerado relativamente bem-sucedido. Se construir novos prédios é um realizador. Se faz o saldo bancário subir, é bom administrador.

Creio que essas medidas são boas para empresas, pois apontam para uma realização natural e comercial. Se a empresa aumenta seu número de empregados, seus lucros e seu patrimônio, então podemos dizer que é uma empresa bem-sucedida. No entanto, não vejo como aplicar essas medidas para a igreja, pois o nosso modelo é o Senhor Jesus no seu ministério aqui na terra, e em nenhum momento o vemos preocupado com essas coisas.

Quantos seguidores o Senhor Jesus tinha? Não podemos contar na hora da distribuição dos pães. Somente devemos contar os discípulos, pois é nas horas de agonia que se revela o irmão e não nas horas de festa. Na cruz estava somente um discípulo!

Como eram as finanças de Jesus?
Ele nasceu em um lugar que não era seu. Tinha uma profissão bem simples e usou um jumento emprestado na sua entrada em Jerusalém. Vestia-se com roupas doadas e fez um milagre para pagar o imposto. Para concluir, o tesoureiro era ladrão!

Quantos templos Jesus edificou?
Quando foi levado por seus seguidores para que pudesse admirar as construções do Templo, falou em derrubar!

Se ele se apresentasse em algumas denominações com o intuito de se tornar pastor, certamente seria rejeitado.Definitivamente, seu padrão não condiz com alguns modelos de igreja que temos hoje.

Precisamos acordar!

Precisamos transformar-nos pela renovação do nosso entendimento, sob pena de ter as nossas obras rejeitadas pelo Senhor por completa incompatibilidade entre a sua planta, e o que nós estamos fazendo.

O Senhor somente vai encher de glória o que for construído segundo a planta dele. A sua presença somente vai ocupar aquilo que estiver de acordo com o modelo que ele apresentou, e não segundo os projetos que se parecem conosco.

Por Jamê Nobre

Fonte: http://www.proide.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=54&Itemid=64

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O Caçador, o Macaco e os Amendoins

O texto a seguir é uma maneira de demonstrar como Deus traz relevância aos fundamentos neotestamentários.

Publicado em: 18/10/2011, na categoria: Artigos

Por Dr. Ralph Neighbour

Você já ouviu falar do caçador que encontrou uma maneira de capturar macacos? Ele amarrou uma garrafa de vidro de pescoço estreito ao tronco de uma árvore e colocou amendoins dentro da garrafa. O macaco via os amendoins, escorregava sua mão pelo pescoço da garrafa e agarrava os amendoins. Seu punho fechado não lhe permitia retirar a mão. Ele ficava lá por horas, agarrado aos amendoins, até que o caçador vinha e o pegava.

É incrível ver os valores a que os crentes tradicionais se agarram, em vez de libertá-los e deixá-los ir. Os amendoins são bastante convencionais: o clero é superior aos leigos; “igreja” é um prédio onde nós servimos ao Senhor; os cultos voltados para atrair os de fora com cuidado e carinho aumentarão a frequência aos domingos, e os “pequenos grupos” devem manter os membros felizes. Pode haver variações nesses temas, mas no final eles ainda serão amendoins que impedem a manifestação do autêntico Corpo de Cristo.

O Valor Supremo: O Corpo de Cristo

O Deus triúno é um Espírito invisível. Ele não pode ser visto ou conhecido a não ser que assuma alguma forma visível. Romanos 1 explica que Ele Se revelou como Eloim, o Criador, chamando o universo à existência. Ele Se revelou como Jeová, que “serei sempre aquele sempre fui”, habitando no corpo de um homem gerado pelo Pai. Em João, Ele declarou: “porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou” (João 5.36).

Dentro da pele de Jesus vivia tanto um ser humano como Deus o Filho. As obras que Ele tinha para completar eram declarar o governo (Reino) de Deus sobre todas as coisas criadas e fazer expiação pelo pecado da humanidade. Na cruz, Ele declarou: “Está consumado!”

Mas o Pai tinha uma tarefa adicional para o Filho. Seria necessário um segundo corpo, um que pudesse existir simultaneamente em cada geração e em todas as culturas. A retirada do corpo de Jesus deste mundo foi seguida dez dias depois pelo Filho descendo em línguas Shekinah de fogo, ao entrar em Seu novo corpo. Instantaneamente Ele começou a agir para cumprir Sua tarefa final. Como Pedro explicou, Ele estava revelando Sua Presença manifesta nas peles dos membros deste novo corpo. Milhares se dobraram diante Dele e entraram no Reino para viver debaixo de Seu Senhorio.

Nós somos a ekklesia“os chamados para fora” que receberam a plenitude de Deus, que veio residir dentro de suas peles. Depois de ser batizados pelo Espírito Santo para se tornar membros do corpo, eles carregam o Cristo manifesto para dentro de seus oikoi*. De acordo com Paulo em I Coríntios 14.24-25, O próprio Cristo ativa as profecias nestes pequenos grupos para revelar a Sua Presença, fazendo os incrédulos caírem com o rosto em terra, confessando que “Deus está entre vocês”.

A Célula é o Tesouro Mais Valioso sobre a Terra Hoje

Devemos “soltar” nossas concepções erradas do tamanho de grãos de amendoim sobre a “igreja” e valorizar o que Deus valoriza: uma comunidade básica de membros do corpo cheios de Jesus, controlados pela Cabeça, expondo Sua Presença e Poder para os não crentes e para os indoutos.

Princípios chaves

  1. Todos os crentes possuem igualmente a completa justiça de Cristo.
  2. Todos os crentes podem manifestar a energeia e o charismata de Seu Poder.
  3. O evangelismo autêntico é o corpo de Cristo apresentando Sua presença manifesta a ponto de ver os incrédulos caírem sobre seus rostos e O adorarem.
  4. Cada célula, como corpo de Cristo, existe para experimentá-Lo, operando Sua libertação do poder do pecado dentro deles.
  5. Cada célula pratica sua missão primordial: ajudar a Cristo a cumprir Sua missão final: atrair todos os homens para Si mesmo. Eles não podem fazer isto por Ele; em vez disso, eles se rendem a Ele para que Ele o faça através deles.
  6. A igreja local não forma as células, as células é que formam a igreja local.

Fonte: http://www.visaomda.com/categoria/artigos/

Oikos é uma palavrinha grega que significa “casa”, “área familiar de influência”. É singular. A formaoikoi, apesar de ser transliterada assim, com “i” no final, é o plural.

Dr. Ralph Neighbour é o fundador do Ministério TOUCH Outreach e autor de 42 livros sobre liderança e grupos celulares. Dr. Neighbour, com mais de 80 anos de idade, continua a escrever, ministrar, viajar internacionalmente, assessorando igrejas. É considerado uma das maiores autoridades do movimento celular.

 

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A HISTÓRIA DO AVIVAMENTO NA ARGENTINA

COMO COMEÇOU?

O Movimento de Discipulado na Argentina foi fruto de um avivamento que começou em 1967, em Buenos Aires, Albert Darling, filho argentino de um cristão irlandês, e executivo do departamento de marketing da Coca-Cola Export Corporation, foi batizado no Espírito Santo e começou uma reunião de oração toda segunda-feira em sua casa com um grupo de uns vinte irmãos.

À medida que se reuniam para orar por um avivamento nas igrejas da Argentina, irmãos de várias denominações começaram a ser cheios do Espírito e o grupo de oração cresceu de tal forma que logo se tornou impossível continuar reunindo-se naquela casa. Alugaram um salão que também ficou pequeno e o mesmo aconteceu com um grande templo colocado à disposição deles, obrigando os a mudar o grupo de oração para um teatro com capacidade para 1.500 pessoas.

A maior parte dos irmãos pertencia aos Irmãos Livres (inclusive o casal Darling), mas havia também batistas, menonitas, membros da Aliança Cristã e Missionária, da União Evangélica da América do Sul e irmãos de grupos independentes. Predominavam nas reuniões a oração, a adoração e o amor uns pelos outros, e havia grande expectativa por coisas maravilhosas do Senhor. Os incrédulos que passavam em frente ao teatro entravam para ver o que Deus estava fazendo., A presença do Senhor os convencia de tal maneira que caíam com o rosto em terra. Outros sentiam as algemas e correntes do pecado caindo de suas vidas, enquanto entravam na presença do Senhor, e outros ainda eram curados.

Como resultado deste mover, cerca de uns dez pastores, participantes regulares das reuniões, começaram a encontrar-se todo sábado para desenvolver um relacionamento mais íntimo. Com o tempo este número chegaria a cerca de 25 líderes, mas entre esses os que mais se destacaram foram: Orville Swindoll, missionário americano na Argentina desde 1959 e estabelecido em Buenos Aires desde 1967; Keith Bentson, missionário americano na Argentina desde 1958 e estabelecido em Buenos Aires desde 1965; Ivan Baker, argentino de descendência inglesa e líder numa igreja dos Irmãos Livres; Jorge Himitian, armênio nascido em Haifa, Palestina, cuja família se radicou na Argentina quando ele era um garoto de 7 anos; e Juan Carlos Ortiz, pastor argentino das Assembleias de Deus. Foram principalmente esses homens que delinearam os princípios deste movimento na Argentina.

O SENHORIO DE CRISTO E O EVANGELHO DO REINO

Em 1968 Jorge Himitian começou a compartilhar com seus colegas a revelação que estava tendo na Palavra sobre o senhorio de Cristo. Em resumo, ele começou a questionar os sermões evangélicos que pregavam a aceitação de Jesus Cristo como Salvador para obter perdão de pecados e deixavam o reconhecimento de Jesus como Senhor para um eventual momento de crise. Ao estudar as Escrituras percebeu que a palavra salvador só aparecia umas poucas vezes, ao passo que a palavra senhor aparecia mais de trezentas vezes. Descobriu que para os primeiros cristãos o termo “senhor” (kurios, em grego) significava dono, soberano, uma pessoa com grande autoridade, mais particularmente, na época, o imperador romano. Dirigir-se a uma pessoa como senhor implicava compromisso, sujeição e submissão a essa pessoa, assumindo a posição de servo. Todo escravo do primeiro século encarava o desejo do seu senhor como uma ordem, mas a tendência do Cristianismo atual era raciocinar e argumentar com o Senhor, em vez de obedecer sem reservas. A rendição dos cristãos primitivos ao Senhor Jesus foi total a ponto de pagarem com suas vidas a sua lealdade a Cristo. Diante disso, o cristão hoje deveria arrepender-se de seu pecado de rebelião e independência e reconhecer a Jesus Cristo como Senhor, colocando-se sob seu governo, submetendo-lhe sua vida sem reserva, como servo obediente. Fazendo isto, tornamo-nos sua propriedade, seu povo, sua possessão, e ele nos molda à sua própria imagem para sermos instrumentos efetivos para cumprir seu propósito eterno, por meio do Espírito Santo que habita em nós.

Assim surgiu a mensagem do “evangelho do reino de Deus”, que relacionava o senhorio de Cristo com a experiência de salvação. Em 1968 Himitian expôs por vários domingos esta mensagem e Juan Carlos Ortiz foi o primeiro a pedir que a mesma série fosse dada em sua congregação. Logo Himitian estava pregando o evangelho do governo de Deus, que deveria ser praticado aqui e agora, em várias cidades da Argentina. Mais tarde esta mensagem foi mais elaborada e cópias em fita cassete foram distribuídas. No ano de 1974 a série completa foi impressa com o título “Jesus Cristo é o Senhor”. Basicamente a mensagem do evangelho do reino se dividia em três pontos principais:

  1. Jesus como Senhor de nossas vidas;
  2. Jesus como Senhor da igreja; e
  3. Jesus como Senhor do universo.

A IDÉIA DE DISCIPULADO

Embora o grupo de pastores que se reuniam aos sábados de manhã e conduziam as reuniões de segunda à noite obtivesse consideráveis resultados evangelísticos, começaram a buscar uma forma descomplicada e não dispendiosa de conservar os frutos e edificar a igreja. De acordo com Orville Swindoll, a resposta “teria de ser simples e prática, aplicável em qualquer situação: tanto entre pobres como entre ricos, em tempos de perseguição ou de liberdade, em meio a um avivamento espiritual ou em novos campos de trabalho, entre profissionais ou operários.” Ivan Baker e Swindoll tinham tido contato com os “Navegantes”, um movimento evangélico interdenominacional iniciado nos EUA entre os marinheiros durante a Segunda Guerra Mundial, cujos propósitos eram a evangelização e o treinamento de novos convertidos. Eles enfatizavam o estudo e a memorização de textos bíblicos e o trabalho pessoal de acompanhamento e discipulado. Foi especialmente Ivan Baker quem viu as tremendas possibilidades do plano dos “Navegantes”. Consistia de um cristão ganhar e treinar uma outra pessoa no espaço de um ano, e logo os dois repetiriam o processo sucessivamente. Ao fim de dois anos haveria quatro, em três anos oito, em quatro anos dezesseis, e assim por diante. Ele viu que o crescimento numérico seria lento no princípio, mas, ao cabo de dez anos, haveria mais de mil novos crentes e em vinte anos haveria um milhão, e em trinta anos um bilhão. E, além disso, o plano poderia ser facilmente ensinado sem exigir equipamentos especiais, dinheiro ou demasiado tempo livre.

Ao estudar os Evangelhos, Baker viu que o método de Jesus para treinar e enviar os discípulos era simples e sem sofisticação. Eis as lições essenciais que descobriu nos quatro Evangelhos:

1) Jesus deu de si mesmo mais do que deu sermões.
2) Jesus foi até as pessoas; não pediu que viessem a ele para escutá-lo.
3) Ele aceitou as circunstâncias tais como eram: à beira-mar, na montanha, no poço, nos lares etc. Seus maiores pronunciamentos foram em meio às circunstâncias mais simples.
4) Somente buscou aqueles que estavam com fome e sede de justiça.
5) Fez uma seleção dos seus discípulos. Nunca procurou segurar aqueles que desejavam deixá-lo. Mais tarde, enviou aqueles que havia selecionado em missões específicas.
6) Ele levou somente três anos para formar doze apóstolos.
7) Os discípulos estavam aparentemente sem preparação quando ele os enviou.

Obviamente, ele dependia do Espírito Santo para completar o trabalho necessário neles.

Porém, ao expor para sua congregação essas condições básicas estabelecidas por Jesus para o discipulado, Ivan ficou frustrado e decepcionado. As pessoas estavam acomodadas e acostumadas a ter líderes sobre si, fazendo o trabalho de evangelismo e edificação. Não queriam assumir a responsabilidade pessoal por outros para produzir um evangelismo mais eficaz. Sendo assim, ele e sua esposa fizeram algo radical. Sem informar sua congregação, começaram a evangelizar os vizinhos do bairro usando os princípios de discipulado que ele descobrira nos Evangelhos. Logo surgiu um pequeno grupo reunindo-se para tomar chá juntos, para orar bem cedo de manhã, para estudos bíblicos e para buscar conselho pastoral. Frequentemente, nos domingos pela manhã, eles se reuniam e logo saíam para evangelizar. Depois de seis a oito meses tinham um grupo estável de umas doze pessoas. Durante todo este tempo ele continuara em vão tentando reorientar sua congregação de acordo com o plano acima mencionado, mas, mesmo assim, os resultados obtidos com este grupo o convenceram de sua praticidade. Foi então que resolveu apresentar o grupo à igreja na reunião geral do domingo à tarde.

Ao ver novas pessoas chegando, os irmãos pensaram que finalmente alguns da redondeza estavam mostrando interesse no evangelho. Quando Ivan apresentou os novos convertidos e como ele e sua esposa os haviam ganho, a congregação ficou envergonhada, pois viu que esses “meninos em Cristo” estavam bem orientados e espiritualmente crescidos, e que alguns deles já haviam levado seus parentes e amigos a Cristo. Ao terminar a reunião, um dos presbíteros veio a Ivan, confessou sua dureza de coração e sua vergonha e disse: “Diga-nos como fazer, Ivan. Estamos dispostos a obedecer.” Ivan percebeu que não poderia assumir este plano sozinho. Viu que teria de preparar homens que por sua vez preparariam outros e assim por diante. Por três meses treinou seus presbíteros e depois dividiu todos os membros da congregação que estavam dispostos a trabalhar em três grupos sob a autoridade dos três presbíteros. Alterou também a estrutura tradicional da igreja, pois viu que o excesso de reuniões não deixava tempo para se fazer discípulos.

Durante o ano de 1968, Ivan Baker e Jorge Himitian estiveram compartilhando com o grupo de pastores seus pensamentos e descobertas sobre o senhorio de Cristo, o evangelho do reino de Deus, e como fazer discípulos. Mas foi através de Juan Carlos Ortiz que essas verdades se tornariam mundialmente conhecidas.

A EXPERIÊNCIA DE ORTIZ

Alguém afirmou haver três tipos de pessoas que se destacam nos movimentos da história da igreja: o teórico, o pragmático e o articulador. Referindo-se ao que estava acontecendo na Argentina, Orville Swindoll definiu Jorge Himitian como o teórico ou teólogo, Ivan Baker como o pragmático e Juan Carlos Ortiz como o articulador. Com sua mente brilhante e a capacidade incomum de comunicar as verdades que estavam no seu coração, Ortiz se tornou na década de 70 o porta-voz do Movimento de Discipulado na Argentina. Foi um dos primeiros a se tornar plenamente convencido da validade e atualidade das verdades que estavam sendo descobertas e a colocá-las em prática em sua igreja.

Mesmo sendo pastor de uma próspera igreja pentecostal em Buenos Aires, que devido ao seu intenso trabalho e de sua esposa crescera de 180 para 600 membros, ele não estava satisfeito e decidiu retirar-se da cidade por uma semana para buscar o Senhor. Foi então que ouviu Deus falar-lhe: “Juan, onde está o meu dedo em tudo isto? … Vocês não estão crescendo, estão apenas engordando.

Vocês apenas têm mais pessoas do mesmo tipo. Havia 200 sem amor, depois 300, 500 e agora 600 – todos sem amor. Mais do mesmo tipo … não crescendo … engordando … Sua igreja não é uma igreja; é um orfanato. Ninguém tem pai; todos são órfãos e você é o diretor do orfanato. Aos domingos você enche uma garrafa de leite e diz: ‘Agora abram suas bocas’. E você pensa que está alimentando seu povo.” Por meses então ele pregou sobre o discipulado, o evangelho do reino e o senhorio de Cristo em sua igreja. Um dia viu que era hora de mudança. Eis com suas próprias palavras um pouco da sua experiência: Um dia, lendo o Evangelho segundo Mateus, vi que Jesus disse que todas as multidões eram como ovelhas sem pastor, e ele escolheu doze discípulos. Disse para mim mesmo: “É tempo de mudar.” Eu tinha uma congregação parecida com um clube. Era como um orfanato e eu era o Reverendo Juan Carlos Ortiz, diretor do orfanato. Quando compreendi isto, decidi começar uma nova igreja subterrânea em minha casa. E Joãozinho roubou um grupo de membros do Reverendo Ortiz e começou a discipulá-los. Eu era Joãozinho. Nesta nova estrutura não precisava mais ser um “reverendo”. Apenas Joãozinho. Você sabe por quê?

Clubes são fundamentados em pretensão e prestígio humanos. A verdadeira igreja é fundamentada em Jesus. Se nós o chamamos pelo seu primeiro nome, por que não a mim?

Então dei minha vida a esses discípulos. Trabalhei com eles. Fomos para o campo juntos. Vivemos juntos. Comemos juntos. Eu abri minha casa para eles. Eles vieram dormir em minha casa … Nós nos tornamos como uma família. E depois de seis meses, mais ou menos – não foi de um dia para outro – essas pessoas estavam tão mudadas que todo o orfanato notou isto … As pessoas iam a eles para oração e conselho. E, depois de seis meses, eu lhes permiti roubar outros membros da igreja do Reverendo Ortiz para fazer deles discípulos. Seis meses mais tarde, esses também foram permitidos roubar mais membros. Levou quase três anos, mas finalmente todos os membros foram roubados e o orfanato foi transformado numa família.

Durante esse tempo pessoas estavam sendo salvas nos pequenos grupos celulares. Cada um de meus discípulos se reunia com seu grupo celular. Novas pessoas vinham para as células, mas nós proibimos os líderes de células de trazê-las para a igreja porque expô-las ao velho clube congregacional as estragaria.

Além do mais, estávamos tentando acabar com a velha estrutura, não alargá-la. Cada um de meus discípulos tinha um grupo num ponto diferente da cidade … Estas células podiam reunir-se em casa, num parque, num restaurante, na praia – em qualquer lugar e a qualquer hora … Aos poucos, portanto, descobrimos o que um “membro de igreja” realmente é: Primeiro, um membro de igreja é dependente do resto do corpo. Ninguém vê um nariz andando pela rua sozinho. O corpo precisa estar todo interligado, como um só bloco. Segundo, um membro é uma parte do corpo que une duas outras partes. Terceiro, um membro é alguém que nutre. Ele recebe nutrição para si mesmo e passa nutrição para outros membros submissos a ele. Quarto, um membro sustenta aqueles que estão acima dele. E quinto, os membros passam ordens. A cabeça ordena a mão, mas a ordem é transmitida através de outros membros.

Ortiz preparou cursos de estudos para usar nas sessões de treinamento com seus líderes. Pouco a pouco esses estudos foram mimeografados, corrigidos e impressos, e os líderes começaram a usar o mesmo material para ensinar a seus grupos pequenos. A produção quase constante de novos materiais, além dos ensinamentos dados nas reuniões de segunda à noite e de sábado com os pastores produziu farto material que serviu de base para a publicação de vários livros. Seu primeiro livro em inglês “Call to Discipleship” (Chamado Para Discipulado) foi escrito juntamente com Jamie Buckingham (famoso autor e ministro cristão carismático) a partir de seus ensinamentos numa conferência nos EUA. Foi traduzido para várias línguas e teve grande impacto para espalhar os ensinamentos sobre o senhorio de Cristo e o discipulado.

Os anos de 1972 e 1973 foram uma época de muita divulgação da palavra que os irmãos em Buenos Aires tinham recebido. Muitos pastores e líderes de outros países latino-americanos e dos EUA foram até a Argentina para conhecer os irmãos e para assistir aos encontros que começaram a promover. Além disso, os pastores de Buenos Aires começaram a viajar para outros países para pregar em encontros e conferências.

Em janeiro de 1973 houve um grande encontro em Porto Alegre promovido pelos batistas renovados e Ortiz, Swindoll, Bentson e Baker estiveram lá como preletores. Tanto nas reuniões gerais com assistência de 6.000 a 7.000 pessoas (de toda parte do Brasil), quanto nas reuniões especiais com pastores, o impacto da palavra de Ortiz foi marcante. Numa das noites do encontro, enquanto Ortiz dirigia o louvor, após ensinar o corinho “Ao que está assentado no trono, e ao Cordeiro … “, parecia que o mesmo espírito de adoração que movera tão fortemente na Argentina, pousou por alguns momentos sobre a congregação, dando uma amostra aos brasileiros deste ambiente celestial.

A partir deste encontro, muitos pastores tomaram conhecimento do que Deus estava fazendo na Argentina e começaram a viajar para lá para assistir aos encontros e conhecer melhor a mensagem. Muitos ministérios foram transformados e não conseguiram mais se encaixar em suas igrejas e denominações tradicionais, começando a tentar colocar em prática os princípios do discipulado.

A ÊNFASE SOBRE A UNIDADE DA IGREJA

Desde o princípio, o mover do Espírito iniciado em 1967 em Buenos Aires e que resultou nas ênfases sobre o evangelho do reino, o senhorio de Cristo e o discipulado, ultrapassou barreiras tradicionais e denominacionais. Como já vimos, pastores de várias denominações se reuniam aos sábados e suas igrejas às segundas à noite; e os principais entre eles viajaram por toda Argentina e por vários países promovendo um ministério itinerante em igrejas, acampamentos, conferências, escolas bíblicas e seminários para pastores e líderes. Foi neste contexto que surgiu a ênfase sobre a unidade da igreja.

Foram Jorge Himitian e Orville Swindoll, que viajavam muito juntos, que tiveram um interesse especial pelo assunto, pois entenderam que para aquele despertamento que estava acontecendo na igreja da Argentina continuar, ele não poderia ser limitado apenas a um contexto denominacional. Era preciso proclamar com intrepidez a unidade de todo o povo de Deus. O Espírito Santo não tinha interesse em edificar estruturas denominacionais, mas a igreja, o corpo de Cristo.

A morte de Jesus havia destruído a inimizade entre Deus e nós, e também entre nós mesmos e nossos irmãos em Cristo. Swindoll incentivou Himitian a estudar o assunto de unidade da igreja nas Escrituras e apresentar uma mensagem sobre o tema nas reuniões de segunda à noite. Um fator que os encorajou a prosseguir nesta pesquisa foi a visita em 1969 de Arthur Wallis (um conhecido autor e conferencista inglês de grande maturidade que enfatizava o avivamento), que ministrou sobre o livro de Neemias. Através de sua mensagem sentiram confirmação sobre as condições essenciais para reconstruir os muros e assim definir a verdadeira característica da cidade de Deus. Acima de tudo o espírito sectário deveria ser quebrado, pois só servia para distrair e atrasar a edificação dos muros.

Em abril de 1969 Jorge Himitian deu sua primeira mensagem sobre a unidade da igreja numa reunião de segunda à noite. Enfatizou especialmente Efésios 4, sublinhando os seguintes conceitos sobre a igreja:

(1) que a verdadeira configuração da igreja local abrange a totalidade dos redimidos de uma cidade;
(2) que nesta mesma área Deus deu à igreja dons e ministérios, os quais devem ser reconhecidos por todos os cristãos ali e exercidos em unidade para a edificação de toda a comunidade.

Para ilustrar estes conceitos, ele mostrou que na igreja de Jerusalém todos os apóstolos ministravam a todos os santos. Devido em parte à enorme quantidade de cristãos ali, a vida em comunidade encontrou sua expressão prática em dois níveis:

(1) todos juntos e
(2) nas casas, certamente em grupos pequenos.

Os apóstolos não dividiram os convertidos em doze grupos diferentes, mas conservaram a prática da unidade do Espírito.

Este foi o início da ênfase sobre a unidade do corpo de Cristo que se espalhou pela igreja na Argentina, a ponto de mais tarde ocorrer a fusão de algumas congregações, e que também encontrou ressonância em vários países, inclusive o Brasil.

NÃO SÓ AVIVAMENTO, MAS FAMÍLIAS E NORMALIDADE

As várias ênfases que temos visto mostram que os irmãos da Argentina não estavam interessados apenas em avivamento, mas em reformar a estrutura da igreja. Swindoll insistiu em suas conversas com os pastores para que a base das congregações fosse concentrada em famílias. Em lugar de ver os jovens solteiros como únicos candidatos promissores a líderes, mais atenção deveria ser dedicada a homens que fossem cabeças de famílias para que houvesse famílias estáveis. Ele compreendeu que, se a vida em família fosse valorizada, a formação dos filhos e dos jovens e também dos novos cristãos seria mais exequível e coerente. Por isso, a ênfase crescente através dos anos no núcleo familiar – que é a unidade básica tanto da igreja como da sociedade – fez com que as congregações passassem a ser caracterizadas pela sua composição baseada em famílias. Outra convicção dos irmãos, defendida principalmente por Keith Bentson e Juan Carlos Ortiz, era que sua preocupação maior não fosse buscar um avivamento, mas buscar a normalidade. O propósito de Deus em nos redimir é para normalizar nossas vidas.

Segundo Bentson, Deus criou o homem na terra para levar uma vida santa e normal, para trabalhar, servir aos outros, e criar uma família. Se isto era a ordem e vontade de Deus para a criação, então a redenção deveria restaurar-nos ao mesmo nível de vida. Portanto, os irmãos concluíram que o Espírito os estava movendo a buscar uma volta à normalidade e não um mero avivamento. Deveriam concentrar-se em tornar-se aqueles homens, mulheres, pais, esposas, maridos, empregados, profissionais e cidadãos que Deus os havia destinado a ser pela criação e redenção. Se houvesse algo mais, algo espetacular, isto seria uma prerrogativa de Deus. O aspecto pragmático das coisas seria responsabilidade deles, e deveriam adotar uma atitude de fé e obediência, caminhando cada dia no Espírito.

Resumindo, de acordo com uma mensagem de Ortiz em outubro de 1969, o propósito de Deus não era apenas salvar almas, mas salvar homens. O evangelho de hoje é deficiente, pois procura só a salvação das almas, mas o evangelho do governo de Deus deve reorientar completamente a vida e conduta dos verdadeiros discípulos de Cristo, e os reunir numa comunidade de santos, onde aprendem a viver e a trabalhar com integridade, onde manifestam o amor, a graça e a verdade de Deus na vida diária.

PROBLEMAS E CONFLITOS

Como sempre acontece num novo mover de Deus, os irmãos de Buenos Aires enfrentaram problemas e conflitos exteriores e interiores. No primeiro caso foram acusados de muitas coisas: de serem excessivamente “pentecostais”, “espiritualistas”, de promulgarem “falsas doutrinas”, de “ecumenismo”, “ladrões de ovelhas” etc.

Mas o conflito mais sério que enfrentaram foi entre eles mesmos com um dos líderes mais proeminentes do grupo – Juan Carlos Ortiz. Este discordou da posição tomada pela maioria do grupo de disciplinar um pastor que cometera pecado sexual, proibindo-o de exercer ministério público por um determinado tempo. Ele defendia a posição de que, quando um pastor comete pecado e sinceramente se arrepende, por mais grave que seja sua falta, o sangue de Cristo o limpa de todo pecado e Deus se esquece totalmente de sua falta. Sendo assim, não há mais motivo nenhum para desqualificá-lo para o ministério. Apesar de concordarem com o conceito do perdão de Deus, os outros irmãos ficaram preocupados com a confusão, leviandade e imoralidade que se criaria nas igrejas, se pastores e líderes surpreendidos em fornicação e adultério pudessem continuar ministrando só pelo fato de se declararem arrependidos.

Outra questão que causou tensão entre Ortiz e os demais membros do presbitério em Buenos Aires envolvia pontos de vista discordantes sobre o nível de autoridade que o presbitério deveria ter sobre o seu ministério itinerante.

Estes problemas levaram à separação de Ortiz do presbitério, e ele acabou mudando para os EUA. O desenrolar desta crise ocorreu durante o ano de 1974 e início de 1975 e, segundo Swindoll, “em todos os anos que temos estado juntos, nada nos tem causado mais preocupação e desassossego que este assunto” (os problemas com Ortiz).14 Em maio de 1975, Bob Mumford foi a Buenos Aires para ajudar a resolver a situação e acabou aproveitando a viagem para ministrar em outras áreas.

Apesar desta experiência ser muito dolorosa, segundo Swindoll, no fim houve resultado positivo para a igreja em Buenos Aires. Vejamos mais uma vez o que ele diz: “O laço de unidade entre os pastores foi duramente provado, mas se manteve firme, com exceção do colega mencionado (Ortiz). No meio do ano de 1975, a atmosfera era clara outra vez; os relacionamentos entre os pastores, como também entre eles e os homens responsáveis em suas congregações, eram muito mais precisas; e nossas metas se haviam definido com clareza. A neblina havia se levantado e começávamos a enxergar melhor.”

DIFERENÇAS ENTRE OS MOVIMENTOS DA ARGENTINA E DOS EUA

Como já mencionamos, os anos de 1972 e 1973 foram de muita proclamação e expansão da visão do discipulado através de viagens e conferências. Em 1974, porém, começaram a surgir problemas tanto na Argentina quanto nos EUA. Na Argentina surgiram os problemas mencionados acima. Nos EUA a mensagem do discipulado causou uma explosão semelhante à que seria produzida atirando-se um fósforo num depósito de gasolina. Inicialmente parecia ser a resposta ideal para a carência que milhares de carismáticos sentiam de disciplina, aliança e desenvolvimento em maturidade. Devido a vários fatores, porém (como o entusiasmo dos americanos em aplicar ideias novas em grande escala, pessoas imaturas ocupando posições de autoridade, ênfase exagerada na cadeia de comando dentro do discipulado, “embriaguez” com os fantásticos sucessos iniciais em termos da expansão numérica do movimento levando à arrogância, e a tendência natural das igrejas atoladas no “status quo” de atacarem qualquer movimento revolucionário), logo surgiu um grande conflito entre os carismáticos com muitas acusações, difamações, mentiras e exageros.

Dada esta situação nos EUA, os irmãos na Argentina acharam mais sábio deixar de viajar por um tempo e dedicar-se mais à prática local. Depois puderam constatar que esta decisão foi de muita valia para o desenvolvimento prático da visão. Perceberam que a visão do discipulado ainda estava numa fase experimental quando fora divulgada nos EUA e em outros lugares e que muitos ajustes precisavam ser feitos. Devido à natureza mais desconfiada do povo argentino, o sistema de discipulado expandia mais lentamente do que nos EUA, e isto foi bom porque deu tempo de evitar extremos e desequilíbrios e, consequentemente, escândalos e polêmica.

Outra diferença entre o movimento na Argentina e nos EUA foi a ênfase que os pastores em Buenos Aires deram à unidade entre todos os pastores em cada cidade, o que não era o caso nos EUA, onde havia cadeias distintas de autoridade e submissão na mesma cidade.

CONCLUSÃO

Se você já leu nosso livro “A História do Avivamento na Argentina” ou outra literatura sobre o assunto, certamente concordará que a Argentina tem sido visitada por Deus com avivamentos muito expressivos. O Movimento de Discipulado, porém, que acabamos de descrever, representa algo diferente. É verdade que começou como um verdadeiro avivamento a partir das reuniões de segunda-feira na casa de Albert Darling, que acabaram produzindo as reuniões de sábado dos diversos pastores que, mais tarde, foram usados por Deus para conduzir o movimento. Entretanto, rapidamente ultrapassou as características de um avivamento, tornando-se um dos movimentos de reforma mais significativos do século XX.

Segundo uma mensagem que Jorge Himitian ministrou num encontro na Argentina, em 1974, há três características da obra de Deus no mundo que provam que não é apenas avivamento que Deus deseja, e sim uma total restauração da igreja:

1) O Espírito Santo não está restaurando verdades isoladas, e sim recuperando o conjunto completo da verdade de Deus e do seu propósito;
2) Não está havendo movimentos locais ou isolados, e sim uma renovação universal que está ocorrendo em I nossos dias; 3) Não se trata de uma simples recuperação de conceitos ou teorias, e sim de que o Senhor está movendo para levantar um povo para si, capaz de encarnar estas verdades. Isto significa que, mais que crer ou anunciar uma verdade, o Senhor quer levar-nos à necessidade de experimentá-la e encarná-la.

Com certeza, os irmãos na Argentina não alcançaram uma restauração plena da doutrina e prática apostólicas, e eles seriam os primeiros a concordar com isto.

No epílogo do livro “Tiempos de Restauracion”, Orville Swindoll diz: “Humildemente cremos que temos uma contribuição a fazer para o presente processo de restauração da igreja. Entretanto, reconhecemos que necessitamos das contribuições de outras partes da igreja que estão experimentando uma renovação espiritual.”

Gostaríamos de sugerir aqui, em síntese, três deficiências básicas que impediram a tentativa de reforma na Argentina de alcançar dimensões apostólicas, essenciais para a restauração total da igreja.

1) A falta da revelação da graça de Deus. Jesus não pregou sobre a graça.
Ele proclamava palavras duras! Mas ele era a graça de Deus. Se quisermos obedecer aos mandamentos de Jesus, teremos de entender e aceitar sua graça.

Não é possível formar discípulos ou obedecer à Palavra de Deus nas nossas vidas sem ser através da pura graça de Deus, sem nenhuma mistura de esforço humano (Rm 8:2-4; Gl 5:4-5).

Apesar de os evangélicos, de modo geral, possuírem uma fé teórica nesta graça, ninguém está demonstrando o poder de uma verdadeira revelação dela na prática hoje. Os irmãos na Argentina, ao reagirem contra a “graça barata” tão predominante no meio evangélico hoje, tocaram em pontos de equilíbrio vitais ao enfatizarem o senhorio de Cristo e os princípios do discipulado.

Mas, para voltarmos à autêntica vida cristã demonstrada na primeira igreja, precisamos de algo mais do que isto. Necessitamos da revelação da graça de Deus no mesmo nível que os apóstolos (principalmente Paulo) receberam e proclamaram. Somente graça pura levará à obediência pura!

2) A ausência de uma ênfase na verdadeira comunhão do Espírito Santo.

Cremos que a comunhão entre o Pai e o Filho na Divindade é o Espírito Santo, e que esta comunhão do Espírito forma o corpo de Cristo (I Co 12:13). Se dermos ênfase à obediência à Palavra por um lado, ou à liberdade no exercício dos dons do Espírito, por outro lado, sem cultivarmos assiduamente a comunhão no Espírito (que não é algo social ou superficial), teremos apenas um outro “movimento”, com todas as limitações humanas, e não o corpo de Cristo. O Espírito Santo é uma pessoa, e ele precisa ter espaço em cada vida, relacionamento e reunião. Não cremos que a obediência à Palavra de Deus ou a formação de discípulos será eficaz sem este elemento da verdadeira comunhão (At 2:42; 2 Co 13:13; Fp 2:1).

Apesar de os irmãos na Argentina terem alcançado um admirável entendimento e prática do equilíbrio entre a Palavra escrita e o Espírito, mais uma vez notamos que falta algo para atingir a verdadeira doutrina apostólica. É possível escapar da rigidez e morte da letra e dos extremos e fanatismos do uso destemperado dos dons do Espírito e, mesmo assim, não alcançar a palavra viva (Hb 4: 12). Não é suficiente misturar Moisés (a Palavra) e Elias (o Espírito) para produzir o evangelho. É necessário um terceiro elemento, Jesus (o evangelho encarnado – Mt 17:1-5).

Não dispomos de tempo ou espaço para discorrer sobre isto aqui, mas cremos que este terceiro elemento hoje tem a ver com a comunhão do Espírito Santo mencionado acima. Esta comunhão existe, em potencial, no meio da igreja hoje, mas o problema é que por não ser enfatizada, reconhecida ou esperada, ela fica sem ação ou expressão. Estamos tão ocupados em estudar, interpretar ou pregar a Palavra ou em buscar e exercer os dons do Espírito que não sobra espaço ou tempo para nutrir e desenvolver esta comunhão.

3) A procura da unidade do corpo de Cristo na base da união dos pastores na localidade. Se por um lado isto pode trazer muitos benefícios no sentido de quebrar barreiras denominacionais, orgulho, sectarismo etc., por outro lado pode cair no ecumenismo e no sacrifício da verdade em função da unidade. Apesar de precisarmos ser quebrados em nossos preconceitos e “reinos próprios”, também precisamos tomar cuidado para não unirmos a igreja de uma maneira humana.

A verdadeira unidade do corpo de Cristo tem de ser centralizada na pessoa de Cristo. À medida que cultivamos a comunhão do Espírito e o espírito (não a letra) da Palavra (2Co 3:6), o Cristo vivo se revelará em nosso meio (Mt 18:20) e sua igreja será formada em cada localidade – um corpo, um Espírito, um Senhor (Ef 4:4-5).

Ao ressaltar, porém, estes aspectos que, ao nosso ver, constituem deficiências, não queremos de modo nenhum depreciar o significado das contribuições positivas que o mover de Deus na Argentina tem para nos oferecer.

Em primeiro lugar, precisamos dizer que estes aspectos que estão faltando na visão dos irmãos na Argentina também estão faltando de modo geral na igreja no mundo. Em segundo lugar, é certo que qualquer prosseguimento na obra de restauração da igreja hoje dependerá da incorporação dos princípios fundamentais proclamados pelos irmãos, tais como: O evangelho do reino, o senhorio de Cristo, os princípios gerais do discipulado (não uma cadeia humana de autoridade, mas os princípios que Jesus aplicou ao discipular os doze), a restauração da normalidade divina para toda a vida do homem (família, emprego etc. – não apenas a vida religiosa) e o alvo de Deus de unir sua igreja na terra para que o mundo creia (Jo 17:21-23).

FONTE: http://semelhanteajesus.com.br/index.php/movimento-de-discipulado-na-argentina/

LIVRO:
A Igreja do Século XX
A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA
John Walker & Outros
Publicado por:
Worship Produções
1ª Edição: julho, 1996
Páginas 103

Grande parte do conteúdo deste capítulo foi baseada no livro “Tiempos de Restauracion” 14 de Orville Swindoll e em entrevistas com Jorge Himitian.

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